Num azul aparentemente sereno, desenrola-se um mercado moralmente apodrecido, onde o luxo e o instinto disputam lugar à mesa. O título transforma-se em punhal satírico: a banca não apenas ruína — vende-se, como produto contaminado em prateleira dourada. Porcos engravatados banqueteiam-se sob um templo central que já não guarda valores, apenas cofres e tentáculos invisíveis. Ícones, notas e personagens caricaturais orbitam como dessacralizações pop, diluindo fronteiras entre poder, farsa e desenho animado. Uma parábola moderna, onde a ganância é celebrada como se fosse normalidade — e o espectador é cúmplice.
POEMA AOS AGIOTAS DESTE PAÍS
Glória ao pai do filho da puta e do Espírito Santo
Que de santo nada tem o corno de um demo
Papa hóstias e
Papa tudo o que lhe apetece
E mais o que lhe aparece
Pela frente, sem vergonha
Nem respeito pela gente
Que deixa no desespero errante
De se ver desvalido e atirado para o lixo.
Glória ao pai do filho da puta e do Espírito Santo,
Do BPN ou do BCP ou de outro B de Banco qualquer
Onde o dinheiro que jornamos deveriam guardar
Mas que nos usurpam e negam
Para os seus cofres engordar!
E glória também ao Cavaco, aos seus pagens e ao Soares
E a todos os mordomos que lhes servem os jantares
E lhes estendem passadeiras e dão vivas,
Vidas de luxo à conta das nossas vidas
Que p’ra eles nada valem e ainda se regozijam
Que as nossas mortes prossigam
Como um genocídio nacional
No seu eterno Carnaval!
Poema de Noélia De Santa Rosa
Pintura de Mutes

