A obra apresenta-se como um objeto de luxo rigorosamente encenado, onde o veludo e o dourado evocam poder, herança e prestígio. No centro, o espelho rompe a sedução e transforma o espectador em matéria da obra. Dirige-se a um mercado que consome arte como investimento, sem olhar ao artista nem ao pensamento. O requinte não suaviza a crítica intensifica-a. O ouro denuncia, o veludo enquadra, e o reflexo devolve uma imagem impossível de ignorar. Quando a pessoa se vê refletida no espelho, adornado pelo tampo de sanita dourado, a obra torna-se brutalmente clara. O luxo transforma-se em ironia e o reflexo ocupa o lugar simbólico do descarte. O espectador percebe que é ele o conteúdo da obra, confrontado com o vazio de um consumo artístico feito sem pensamento. A mensagem é direta e desconfortável: quem reduz a arte a estatuto ou investimento acaba inevitavelmente sentado sobre a própria imagem.
Reflexos da Hipocrisia
3000,00 €
78 x 58 cm
Plástico / Madeira / Vidro / Tecido
2014
Disponivel

