Num campo incendiado por tons escarlate, ergue-se um cortejo de figuras fragmentadas, afiadas como pensamento em estado de guerra. O preto e branco rasga o vermelho como cicatriz e divisão, revelando feras simbólicas, lágrimas minerais e olhos que nunca dormem. Cada forma é meio corpo, meio ideia, meio ferida — uma gramática de tensão onde o grito se escreve em linhas angulosas. O compasso visual parece marcha ritual, nem humana nem animal, guiada por pulsões ancestrais que recusam silêncio. Aqui, a cor não pinta — sentencia; e a tela vibra como uma liturgia primal onde o caos encontra disciplina.
Em Marcha de Escarlate
Acrílico sobre tela
109 x 40 cm
2017
Indisponível
Capa do álbum “Subterrâneos” de – O GAJO

